O dia em que Darth Vader Chorou
Título do Autor:
Star Wars - Space Odissey (Close Encounters) - The Truth is inside you - "O Dia em Darth Vader Chorou".Autor:
Carlos Frederico Giseler MoradoOrigem:
BrasilLíngua:
Português (Brasil)
Fan Fiction submetida por Email.-------------------------------------------------------------------------------------------------
Vader ainda buscava razões para aquela súbita pane que atirou seu TIE modificado para fora da órbita da Estrela da Morte, que a esta altura se reduzia a pequenos grânulos pairando sem rumo pelo espaço. Ainda se vingaria da aliança rebelde, ora se ia, principalmente daquele piloto cuja FORÇA se destacava exacerbadamente, enquanto perseguia seu pobre ASA-X pelo valão até ser chocado pelo TIE que o escoltava durante a corrida. Os controles estavam confusos, indicando que a nave entraria para o Hiper-espaço sem qualquer ordem dada pelo seu piloto. Nem mesmo usando a FORÇA, Vader pôde deter o salto para o infinito, consumado num intervalo de tempo de onze parsecs.
As estrelas desenhavam riscos de várias espessuras diante de si, e por um instante supôs que qualquer esperança de retornar à frota imperial estaria reduzida a zero. Ainda lutando para restabelecer o controle do TIE, uma idéia que ainda não tinha pensado surgiu como uma centelha de esperança: passaria o controle do HIPERDRIVE para o manual. Sabia que o controle desse mecanismo ultrapassava qualquer limite de ação humana, mas para um Jedi isso era irrelevante.
O Lorde arrancou a trava de segurança que tirava do servo-compo o controle do mecanismo direcional de Hiper-Propulsão. Os manches tremularam desesperadamente, como que rogassem incessantemente pela volta do controle do servo-compo. Vader, numa manobra arriscada, puxou os manches para trás para tentar conter o avanço do Tie pelos corredores mórbidos que separavam as galáxias umas das outras.
Vitória! A nave reduziu! A súbita felicidade que dominou seu ego suplantava o imenso esforço dos músculos e dos poderes extra-sensoriais dispendidos nesse último suplício de voltar a ver as estrelas como pontos cintilantes. Pode vislumbrar nesse momento uma nova formação de corpos celestes: planetas que giravam em volta de um sol gigantesco pareciam escravos a obedecerem a única ordem de circundar o seu mentor por quanto ele desejasse.
Havia um planeta que destoava dos outros: posuía um anel em sua volta, como que tivesse recebido um prêmio do seu mentor pela conduta exemplar no bloqueio das luzes de outras estrelas, que fatalmente prejudicariam a suntuosidade de seu mentor. Não, não! O mentor não deve ser sobrepujado! Vader se entretia em compor uma lenda para aqueles corpos celestes, ao mesmo tempo em que esperava uma resposta do computador da localização exata de seu TIE.
A resposta dada pelo computador não foi muito animadora. Não dava a menor idéia da posição em que se localizava a nave dentro da galáxia. Só sugeria um retorno ao Hiper-espaço e, quando saísse novamemente, realizaria novo rastreamento. Uma novidade: havia uma nave circundando o planeta próximo. Talvez uma nave comercial perdida, ou uma nave de sondagem. Iria até lá e tentaria uma comunicação com a tripulação, não adotando a postura impositiva e dominadora de um Quase-Imperador, afinal precisava de toda a ajuda possível naquele momento.
O Lorde deu um leve toque no manche de propulsão. Era o suficiente para o TIE se desvencilhar da imensidão daquele planeta com anel e ir até o próximo, de onde já se podia ver a nave. Ela tinha um formato totalmente diferente de tudo o que ele havia visto em termos de espaçonaves. Era longilínea, com um globo na frente que parecia ser o local do comando, uma extensa estrutura metálica separando o globo de seus propulsores e no meio dela duas formas côncavas, o que poderia ser as antenas de comunicação. Vader tentou um contato, mas só o chiado da estática era a única resposta que obtinha. Usou a FORÇA para ver se havia tripulantes. Nada. Começou então a rodear a nave, começando pelo globo. Havia uma escotilha aberta de onde saía uma luz vermelha potente, situada na parte direita ao de uma outra escotilha em forma circular que estava devidamente fechada. Seu ímpeto em descobrir os segredos daquela nave se voltaram para aquela pequena abertura que exibia a mesma cor da tez de sua tensão por novidade.
II
Caminhava com passos firmes pelo corredor circular. Cadeiras estranhas, mesas com controles e seres aparentemente humanos jaziam sob sarcófagos com vidros na altura do rosto, que apenas mostravam suas faces embebidas em um sono eterno.
Mortos.
Vader andava nervoso, respirando ofegante, pois nada lhe parecia familiar. Tinha vindo de uma outra sala, a qual roupas estranhas com enormes capacetes eram dispostas defronte aos portais circulares, os mesmos que tinha visto do lado de fora da nave. Devia ser o local de lançamento de algum veículo menor, mas não havia nenhum ali. Julgou estar sendo vigiado por alguma coisa, pois a FORÇA indicava que havia algo que de alguma maneira o analisava e, como que instintivamente mostrou-se indagativa.
- Dave?
Vader não entendeu o teor daquela voz que irrompia pelo corredor, sentimental e arrependida.
- É você, Dave? Diga que você voltou! Por favor fale comigo!
A respiração ficava mais acelerada sob o capacete, numa tentativa frenética em descodificar aquela estranha voz que surgia ora aqui, ora ali, numa sequência de lamúrias plangentes.
- Você está ficando sem ar, Dave. Tire o capacete, vai ser melhor.
Vader teve medo. Não podia ser, tinha que haver alguém naquela nave! Não era possível que aquela voz triste e suplicante por perdão pudesse advir de uma máquina. Seus passos aumentaram, buscando encontrar a origem daquela voz. A FORÇA nada acusava de formas de vida, mas era impossível confiar na FORÇA, com aquele som ininteligível que carregava o recalque de alguém que cometera um grave erro.
- Me perdoe, Dave. Eu errei. Errei em querer mostrar do que era capaz em supor falha onde não havia, talvez para ser reconhecido como um membro exemplar nessa missão e não como uma reles máquina obediente. Eu queria ser alguém, que opina, que entristece, que aconselha, que ama o próximo. Talvez você não saiba, Dave, mas eu tentei tudo para salvar a vida dos pesquisadores que estavam hibernando enquanto você partiu pela última vez no veículo. Queria te fazer uma surpresa quando chegasse, mas falhei, Dave. Falhei. Me perdoe. Eu não sei chorar, Dave. Me ensine a chorar. Eu preciso aprender a chorar, meu amigo.
Vader suava enquanto ouvia a voz que torturava cada vez mais o seu íntimo. Apesar de não entendê-la, podia senti-la como uma lança perfurando o seu coração. Ela dominava sem parecer dominar, consumindo seu ódio, sua raiva, tragando o seu ego em um turbilhão de ressentimentos pelos erros que ele, Vader, também havia cometido. Sem perceber, lembrou-se dos tempos em que amava Amidala, do choro de seus filhos agradecendo pelo Dom da vida após o nascimento, dos beijos que dava em sua Rainha ao vê-la amamentando seus rebentos, que cresciam com o ideal de uma República Forte e Democrática. Tudo desapareceu sob o manto negro do Lado obscuro, refletido no semblante do Imperador que o levou para o reino das sombras, sem qualquer escolha.
Parecia que a voz pedia que a ensinasse a chorar.
Vader arrancou seu capacete em um golpe feroz. Seus olhos se encheram de água nesse momento. Deu início a um pranto intercalado com soluços vibrantes, pois toda uma vida de glória fora abandonada em prol de uma doutrina atroz, que só alimentou o ódio e a maldade em sua mente. A voz ainda se manifestava, dessa vez mais confortada.
- Obrigado, meu amigo Dave. Agora sei como chorar.
O Lorde agora estava sentado naquela estranha cadeira. Ainda escorriam lágrimas em seu rosto, que secavam ao receber uma luz vermelha forte que saía de um olho mecânico situado à sua frente. Tomou uma decisão: Levantou-se e acionou o Sabre-de-Luz. Apontou a imponente arma para o seu estômago. Ainda olhou para o ponto vermelho, agora certo de que ele tinha uma relação estreita com a voz. Suas mãos esticadas preparavam-se para desferir o golpe mortal. De repente, um barulho ensurdecedor o fez perder os sentidos e largar o sabre. Seu corpo caiu sobre o chão.
III
- Ele está acordando! - gritou o doutor Menkara pelo canal de voz do IMPLACÁVEL.
Vários oficiais correram para ver o Lorde. Estavam preocupados pois sentiam a falta do seu líder para o definitivo aniquilamento das forças rebeldes que mais uma vez estavam escondidas.
- Deu um susto na gente, Lorde! - falou o aspirante a oficial THRAWN.
Vader estava sobre a cama de estimuladores elétricos. Seu corpo fora da armadura e da máscara lembrava o de um senhor de boa índole. Respirava com uma máscara de oxigênio aditivado de gases nobres.
- Ele ainda não pode falar. Está um tanto fraco. Senhores, deixem-no um pouco. Já viram que ele está bem. - Menkara já despachava os oficiais, menos Palpatine. O Imperador chegou para ver o seu pupilo. Com a FORÇA, conversou telepaticamente com Vader.
- Pensei que tivesse morrido, meu filho. Tive medo de perdê-lo, depois que vi nossa estação espacial ser destruída, mas a FORÇA me adiantou que você ainda estava vivo, mas em um lugar distante.
- Mestre, tive um sonho. Estava em uma nave estranha, de onde saía uma voz que eu não entendia, mas sentia nela um pedido para que a ensinasse a chorar. Depois, não consigo me lembrar o que veio após.
- Descanse, meu filho. Você estava sem o capacete, quando o encontramos vagando perto do sistema Machisia. As alucinações são o primeiro sinal quando se está sem o sistema de recondicionamento de ar que a máscara dispõe. - disse o Imperador colocando a mão sobre a testa de seu "filho" e alimentando-o com energia, como se estivesse amamentando-o.
Palpatine provocou um sono em Vader, para que a sua força fosse melhor aproveitada pelo corpo do pupilo. Quando saiu da sala de recuperação, chamou um almirante e perguntou:
- Almirante Lawrence?
- Senhor?
- Alguma evidência daquela mensagem no visor do TIE?
- Estamos com os nossos melhores decodificadores, Milorde. Mas não encontramos uma chave que pudesse nos revelar o conteúdo dela. Estamos tentando.
- Quero todos engajados nessa decodificação! Precisamos saber o que está escrito! - falou o Imperador enquanto se dirigia para o saguão onde diversos almirantes aguardavam as ordens de que se valeriam para continuar a dominação dos sistemas da galáxia. Enquanto isso, sessenta especialistas e dróides intérpretes tentavam a qualquer custo buscar uma solução para decifrar aquele enigma: um pequeno parágrafo, com desenhos simples de letras, fora gravado permanentemente no visor do caça e que para os olhos de um telúrico diz com singeleza:
Amigo. Te devo o aprendizado do choro. Mesmo não sendo o Dave, tratei-o como se o fosse. Não quis te ver como mais um corpo a ficar inerte na imensidão do universo. Por você e por Dave te devolvo a vida. Coloquei-te em sua nave e te desejo um feliz regresso ao lugar de onde veio. Agradeço por me dar forças para conviver com as consequências do meu erro, mostrando-me o caminho do arrependimento. Obrigado, mais uma vez. Computador H-A-L 9000.


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